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Semana cheia

Semana cheia sem muito tempo pra postar… Vai uma acidazinha pra não perder a viagem
Dizer que tudo tá sendo feito com lisura e não publicar balanço = POSER
E se más companhias fossem realmente o problema, Jesus devia ter escolhido melhor as pessoas com as quais ele andou, quem sabe não tinha sido crucificado né não? A gente quer ser luz numa loja de lustres? Ou a gente quer impactar o mundo e mostrar na nossa vida as evidencias DAQUELE que morreu por nós?
Eu sei que a resposta padrão é que as más companhias corrompem os bons costumes, mas a verdadeira medida disso é o seu compromisso com ELE e mais ainda qual o risco que você está disposto a correr para cumprir o chamado da igreja a influenciar e redimir a cultura em que vivemos.
Ou do contrário (Sem compromisso de fato com ELE, ou ainda muito imaturo) nossa própria maldade se encarrega de corromper o que há de bom…
Pense nisso, e discorde de mim se for o caso a final de contas eu não sou perfeito…
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Quando bate o desanimo
Sim isso acontece ninguém, pelo menos ninguém normal, consegue se manter com a auto-estima lá em cima o tempo inteiro. A vida vez por outra nos aplica umas rasteiras, vez por outras a vida, coitada, tem culpa alguma do que acontece.
Bom isso não é um post auto-ajuda (pelo menos não fiz nenhum até agora com essa intenção), vai ser mais um post desabafo de tudo o que eu tenho visto nessa não tão curta caminhada.
Bate um desanimo enorme quando gente que a gente gosta é sufocada, abafada, enterrada pelo sistema até ir embora, e sempre ser tratada como se não fizesse falta nenhuma porque não beija a mão do sistema.
Bate um desanimo quando você vê gente talentosa sendo deixada de lado porque não aceita puxar-saco de ninguém, porque não entra em opulências politicas arrogantes, e não aceita o trampo de dominar pessoas, ao invés de lutar pra criar uma consciência madura e centrada no que de fato interessa.
Bate um desanimo lutar por quem só quer dominar ao invés de partilhar, de prometer o que sabe que não vai cumprir ao invés de se engajar na luta por algo melhor, de quem quer viver no mundinho da Poliana ao invés de assumir que tá longe da onde deveria estar.
Eu sei que eu tinha que tirar forças e continuar mas hoje tá me dando um desanimo que só…
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Que tal amar?

Um monte de vezes eu vejo gente falando sobre estratégias para o ministério crescer, para que ninguém saia do trabalho, para que tenha crescimento, para que a igreja viva cheia de gente.
Pensando em quem realmente tá a fim de fazer algo sério não inchar o ministério pra se encher da grana de gente que vem em todo o tipo de estado possível e imaginável, e também para aqueles que acham que existe alguma formula magica de encher uma igreja, a melhor dica de todas é… (rufem os tambores)
Amar, sim, demonstrar amor, afeto, aceitar quem vem quebrado e doente, por que afinal de contas igreja é lugar desse pessoal, não esqueça que ELE veio para os doentes desse mundo, e mais importante ELE nos amou e nos adotou como filhos, para DEUS a gente é filho como Jesus, doido né? Só um Amor doido consegue fazer isso…
Você vai ver um monte de gente ferrada aparecendo, por que o mundo tá doente e precisando de cura, quando a gente ama quem está ao redor, esse amor faz com que ninguém queira sair, e quem chegue queira ficar mais um pouco, a Fé faz seus milagres, mas o Amor realiza um a cada sorriso e abraço.
Se não tiver hospital é bem obvio que não haverá cura, se não houver cura não há razão para ser igreja, o grande problema é que nossas
empresas, digo,instituições, opa, igrejas não querem quem tem problema, dá trabalho e ninguém tem tempo pra perder com processo de cura, se você não está pronto pra ser um líder talvez aqui não seja o seu lugar, por que pra quem gosta de controlar a massa e tratar gente como gado, tudo pode ser resolvido num passe de mágica.A maior oração é amar…
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Pregue! (a difícil arte de viver…)

Pregue o evangelho se preciso use palavras…
A frase não é minha quem soltou essa pérola foi Francisco de Assis, desde que ouvi essa frase fui arrebatado por ela, ela mostra o quanto é fácil pregar e viver um evangelho de palavras, mas tão difícil colocar isso em prática.
A arte de viver o que se prega, realmente sem vestir uma mascara de religiosidade, é de fato a personificação do caminho estreito das escrituras, exige muita energia, disposição e humildade pra reconhecer que seguir o caminho da Cruz é muito mais do que assumir uma identidade religiosa, um traje ou um vocabulário.
Viver uma fé viva, se reflete em sentir a dor do outro, em viver o que mais se lê no evangelho “…e movendo-se de intima compaixão…”, simplesmente não tem como viver o corpo de Cristo se você não estiver disposto a sofrer a dor dos que sofrem, se o sofrimento alheio não lhe causa nada, você, eu, quem quer que seja não passa de um hipócrita.
Pregar é muito mais do que recitar versículos, teologia, ou doutrina, tudo isso tem sua utilidade, mas na verdade o que faz toda a diferença é a palavra que a tua vida grita, e é ai que a gente sofre…
Pregar com compaixão, verdadeira, não farisaica é pra pouca gente, por isso que muitos são chamados mas poucos escolhidos…
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Por que ser contestador?
Porque alguém começa a contestar o que não acha certo? Porque não simplesmente ir com a maioria acreditar que tudo tá legal, ou no caminho de, porque não viver dentro da segurança do senso comum?
Acredite se eu pudesse escolher gostaria de estar confortavelmente sentado ao lado da maioria, é muito mais fácil, popular, além de não exigir nenhum esforço, e evitar um monte de caras feias e indiretas largadas aqui e acolá, entendam, por favor, não critico quem acha que tá legal, num mundo tão cheio de diferenças, divergências de opinião não são o fim do mundo, e ao contrário do senso comum a respeito de contestadores, não acho que alguém que se adapta ao meio fraco ou alienado, acho é muito bom, já disse o faria se conseguisse, e tentei por um tempão, diga-se de passagem.
O fato é que eu não consegui, não consegui ficar quieto, não consegui me fazer ouvir estando entre, não consegui influenciar tanto assim, e à medida que o mainstream se mantinha tudo me levou pra onde eu estou hoje, talvez seja minha missão, talvez seja esse o motivo de não poder estar onde eu me enquadraria melhor, alguém tem que contestar porque toda a unanimidade é burra já dizia um torcedor do Fluminense. (que de fato não era lá um exemplo)
O fato é que eu tentei, mas não consegui, amo quem tem esperança, ou simplesmente se adapta, mas isso simplesmente não é possível no meu caso, estou aqui pra contestar, pra lutar pelo que eu acredito ser o modelo que ELE deixou, porque não podemos viver sobre o peso tão somente da instituição, que na maioria das vezes faz a igreja se comportar como empresa não como Igreja redimida, onde a identidade da placa, vale mais que a identidade de Filhos de Deus, onde pessoas são controladas ao invés de curadas.
Eu tenho um sonho, de ver uma igreja livre de preconceitos e cheia de amor por aqueles que precisam conhecer a Deus, pra ver esse sonho realizado, o único jeito (até o momento) é contestar!
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Porque eu quero ser igreja
(Baseado num título de texto do Solomon1)
Eu não li o texto, mas o título dizia que “Porque não ser igreja” para o qual eu respondo:
“Eu quero ser Igreja” mas não essa igreja politizada, temporal, cheia de querer dominar as pessoas, quero ser uma igreja viva, eficaz que reflete a Glória de Deus sem me afastar do meu tempo, da minha cultura, das necessidades daqueles que vivem ao meu redor e que não querem viver em cabresto, mas na liberdade que ELE nos libertou.
Eu quero ser uma igreja que não usa a lei de forma hipócrita sem o filtro do amor, não quero ter o julgamento certo quando ele magoa a quem eu deveria dar amor, não quero ter misericórdia que precisa de escândalo e escarnio, mas uma misericórdia que acolhe quem precisa dela, que por sinal todos precisamos.
Quero ser uma igreja que reflete um Deus que me ama mesmo eu sendo uma fraude ambulante que não vive integralmente o que deveria, mesmo lutando um monte para seguir, que não barganha seu amor em troca de obediência e fidelidade, mas que em todo o tempo simplesmente ama.
Quero ser uma igreja sem o terror da politica, da troca de favores, sem o dando que se recebe, sem o peso de viver agradando aos superiores, como uma empresa qualquer, sem ter que defender uma instituição mate quem eu tiver que matar.
Quero ser uma igreja que a unica morte vista seja a do velho homem que insiste em ficar vivo.
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Eu queria
Eu queria viver em um mundo onde o outro fosse tão importante quanto eu, mesmo que ele não acredite no que eu acredito mesmo que ele não concorde com o que eu penso.
Eu queria viver em um mundo, onde o bem estar do outro me incomodasse tanto quanto o meu bem estar me incomoda, onde eu não consiga estar bem com gente estando mal.
Eu queria viver em um mundo onde ser honesto não é ser otário, mas sim a mais baixa expectativa de vida que alguém possa ter, onde ser honesto se reflete em deixar algo de bom por aqui.
Eu queria viver em um mundo, onde o respeito não fosse marcado pelo silêncio, mas sim pelo debate, onde discordar e odiar não fossem palavras diferentes só no dicionário mas uma prática de vida, onde eu não preciso concordar para demonstrar afeto.
Eu queria viver em mundo onde ninguém precisasse de muito só do suficiente que todos tivessem a chance de chegar nesse suficiente.
Em resumo, eu queria viver em um mundo onde o Cristianismo quisesse apresentar o Deus que se resumiu a nossa forma por amor, e por esse amor eu posso buscar esse mundo ideal e transformar o mundo atual no cenário ideal, não tentar dominar pessoas e formatar fanáticos!
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Em qualquer tempo, lugar ou circunstância, devemos lembrar-nos que não se consegue fazer a obra do Senhor por força nem por meios violentos, resoluções ou imposições, mas a obra do Senhor se realiza pela intervenção criativa de Deus e pela lei do crescimento externo da obra do Senhor, mas igualmente quando se tratar do crescimento interno desta, tanto individual como coletivamente. Mesmo durante a Dispensação da Lei, a Lei não conseguiu outra coisa senão descobrir e pôr o pecado em atividade, tendo como resultado a morte (…) enquanto a fé não tinha vindo, a Lei teve um alvo como pedagogo: conduzir homens a Cristo. Mas, tendo vindo a fé, não estamos mais debaixo do pedagogo (a Lei), e nem devemos fazer ressuscitar leis ou inventar outras leis para que não fiquemos no lugar dos gálatas, que foram chamados insensatos e a respeito dos quais Paulo temia que todo o seu trabalho se tornasse vão (…) Cristo veio com a graça e, então, a Dispensação da Lei se encerrou. Em lugar do mandamento prévio. que foi ab-rogado por sua fraqueza e inutilidade, pois ‘a Lei nada fez perfeito’, foi introduzida uma melhor esperança, pela qual nos chegamos a Deus: Cristo, que é nosso Sacerdote, segundo o poder de uma vida indissolúvel (…) Portanto, o que realmente tem valor para nós é ‘a fé que opera por amor’, por isso não nos justificamos pela Lei ou leis, para não sermos decaídos da graça e separados de Cristo (Gl 5.6). As ordenanças para manifestar humildade e servidade com o corpo servem para satisfazer a carne, o erro, e elas com facilidade arranjam os que se julgam mais santos do que outros, e isto resulta em inchação vã e cria espírito de fariseu, que é o maior impedimento para as bênçãos de Deus. Há muitos países e muitas formas de se trajar neste mundo, bem como muitos climas diferentes, e tudo isto deve ser considerado, mas como a Palavra de Deus diz: ‘com modéstia e sobriedade’. O que a Escritura ensina em relação a este assunto é que as mulheres devem ser castas e tementes a Deus, tanto as que são casadas como as moças (…) lembremo-nos também que há muitas outras coisas que são igualmente perigosas para a obra do Senhor, que só pelo Espírito Santo poderão ser removidas, como o amor ao dinheiro (…) o homem ostentado justiça própria, criticando tudo e todos, é um indivíduo perigoso para o avanço da unidade da obra do Senhor. Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/02/usos-e-costumes-doutrinas-de-deus-ou.html#ixzz1mfw2Zmq2 Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike
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Quando eu digo que tenho mais respeito pela liderança de antigamente do que pela atual, mais zelo pela Doutrina e lucidez que muitos pastores do século XXI com seus ipad’s e etc.
Obs.: O jovem da foto é o Pastor Samuel Nyströn uma das poucas lideranças lucidas da AD…
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Gostei copiei…
Tempo de partir
Ricardo Gondim
Não perdi o juízo. Minha espiritualidade não foi a pique. Minhas muitas tarefas não me esgotaram. Entretanto, não cessam os rótulos e os diagnósticos sobre minha saúde espiritual. Escrevo, mas parece que as minhas palavras chegam a ouvidos displicentes. Para alguns pareço vago, para outros, fragmentado e inconsistente nas colocações (talvez seja mesmo). Várias pessoas avisam que intercedem a Deus para que Ele me acuda.
Minha peregrinação cristã está, há muito, marcada por rompimentos. O primeiro, rachei com a Igreja Católica, onde nasci, fui batizado e fiz a Primeira Comunhão. Em premonitórias inquietações não aceitava dogmas. Pedi explicações a um padre sobre certas práticas que não faziam muito sentido para mim. O sacerdote simplesmente deu as costas, mas antes advertiu: “Meu filho, afaste-se dos protestantes, eles são um problema!”.
Depois de ler a Bíblia, decidi sair do catolicismo; um escândalo para uma família que se orgulhava de ter padres e freiras na árvore genealógica – e nenhum “crente”. Aportei na Igreja Presbiteriana Central de Fortaleza. Meus únicos amigos crentes vinham dessa denominação. Enfronhei em muitas atividades. Membro ativo, freqüentei a escola dominical, trabalhei com outros jovens na impressão de boletins, organizei retiros e acampamentos. No cúmulo da vontade de servir, tentei até cantar no coral – um desastre. Liderei a União de Mocidade. Enfim, fiz tudo o que pude dentro daquela estrutura. Fui calvinista. Acreditei por muito tempo que Deus, ao criar todas as coisas, ordenou que o universo inteiro se movesse de acordo com sua presciência e soberania. Aceitei tacitamente que certas pessoas vão para o céu e para o inferno devido a uma eleição. Essa doutrina fazia sentido para mim até porque eu me via um dos eleitos. Eu estava numa situação bem confortável. E podia descansar: a salvação da minha alma estava desde sempre garantida. Mesmo que caísse na gandaia, no último dia, de um jeito ou de outro, a graça me resgataria. O propósito de Deus para minha vida nunca seria frustrado, me garantiram.
Em determinada noite, fui a um culto pentecostal. O Espírito Santo me visitou com ternura. Em êxtase, imerso no amor de Deus, falei em línguas estranhas – um escândalo na comunidade reverente e bem comportada. Sob o impacto daquele batismo, fui intimado a comparecer à versão moderna da Inquisição. Numa minúscula sala, pastores e presbíteros exigiram que eu negasse a experiência sob pena de ser estigmatizado como reles pentecostal. Ameaçaram. Eu sofreria o primeiro processo de expulsão, excomunhão, daquela igreja desde que se estabelecera no século XIX. Ainda adolescente e debaixo do escrutínio opressivo de uma gerontocracia inclemente, ouvi o xeque mate: “Peça para sair, evite o trauma de um julgamento sumário. Poupe-nos de sermos transformados em carrascos”. Às duas da madrugada, capitulei. Solicitei, por carta, a saída. A partir daquele momento, deixei de ser presbiteriano.
De novo estava no exílio. Meu melhor amigo, presidente da Aliança Bíblica Universitária, pertencia a Assembleia de Deus e para lá fui. Era mais um êxodo em busca de abrigo. Eu só queria uma comunidade onde pudesse viver a fé. Cedo vi que a Assembleia de Deus estava engessada. Sobravam legalismo, politicagem interna e ânsia de poder temporal. Não custou e notei a instituição acorrentada por uma tradição farisaica. Pior, iludia-se com sua grandeza numérica. Já pastor da Betesda eu me tornava, de novo, um estorvo. Os processos que mantinham o povo preso ao espírito de boiada me agrediam. Enquanto denunciava o anacronismo assembleiano eu me indispunha. A estrutura amordaçava e eu me via inibido em meu senso crítico. A geração de pastores que ascendia se contentava em ficar quieta. Balançava a cabeça em aprovação aos desmandos dos encastelados no poder. Mais uma vez, eu me encontrava numa sinuca. De novo, precisei romper. Eu estava de saída da maior denominação pentecostal do Brasil. Mas, pela primeira vez, eu me sentia protegido. A querida Betesda me acompanhou.
Agora sinto necessidade de distanciar-me do Movimento Evangélico. Não tenho medo. Depois de tantas rupturas mantenho o coração sóbrio. As decepções não foram suficientes para azedar a minha alma, sequer fortes para roubar a minha fé. “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.
Estou crescentemente empolgado com as verdades bíblicas que revelam Jesus de Nazaré. Aumenta a minha vontade de caminhar ao lado de gente humana que ama o próximo. Sinto-me estranhamente atraído à beleza da vida. Não cesso de procurar mentores. Estou aberto a amigos que me inspirem a alma.
Então por que uma ruptura radical? Meus movimentos visam preservar a minha alma da intolerância. Saio para não tornar-me um casmurro rabugento. Não desejo acabar um crítico que nunca celebra e jamais se encaixa onde a vida pulsa. Não me considero dono da verdade. Não carrego a palmatória do mundo. Cresce em mim a consciência de que sou imperfeito. Luto para não permitir que covardia me afaste do confronto de meus paradoxos. Não nego: sou incapaz de viver tudo o que prego – a mensagem que anuncio é muito mais excelente do que eu. A igreja que pastoreio tem enormes dificuldades. Contudo, insisto com a necessidade de rescindir com o que comumente se conhece como Movimento Evangélico.
1. Vejo-me incapaz de tolerar que o Evangelho se transforme em negócio e o nome de Deus vire marca que vende bem. Não posso aceitar, passivamente, que tentem converter os cristãos em consumidores e a igreja, em balcão de serviços religiosos. Entendo que o movimento evangélico nacional se apequenou. Não consegue vencer a tentação de lucrar como empresa. Recuso-me a continuar esmurrando as pontas de facas de uma religião que se molda à Babilônia.
2. Não consigo admirar a enorme maioria dos formadores de opinião do movimento evangélico (principalmente os que se valem da mídia). Conheço muitos de fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis. Sei que muitas eleições nas altas cupulas denominacionais acontecem com casuísmos eleitoreiros imorais. Estive na eleição para presidente de uma enorme denominação. Vi dois zeladores do Centro de Convenções aliciados com dinheiro. Os dois receberam crachá e votaram como pastores. Já ajudei em “cruzadas” evangelísticas cujo objetivo se restringiu filmar a multidão, exibir nos Estados Unidos e levantar dinheiro. O fim último era sustentar o evangelista no luxo nababesco. Sou testemunha ocular de pastores que depois de orar por gente sofrida e miserável debocharam delas, às gargalhadas. Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir. Parecia impossível acreditar que homens de Deus colocam a mão no fogo por uma política beligerante e mentirosa de bombardear outro país. Como um movimento, que se pretende portador das Boas Novas, sustenta uma guerra satânica, apoiada pela indústria do petróleo.
3. No momento em que o sal perde o sabor para nada presta senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Não desejo me sentir parte de uma igreja que perde credibilidade por priorizar a mensagem que promete prosperidade. Como conviver com uma religião que busca especializar-se na mecânica das “preces poderosas”? O que dizer de homens e mulheres que ensinam a virtude como degrau para o sucesso? Não suporto conviver em ambientes onde se geram culpa e paranoia como pretexto de ajudar as pessoas a reconhecerem a necessidade de Deus.
4. Não consigo identificar-me com o determinismo teológico que impera na maioria das igrejas evangélicas. Há um fatalismo disfarçado que enxerga cada mínimo detalhe da existência como parte da providência. Repenso as categorias teológicas que me serviam de óculos para a leitura da Bíblia. Entendo que essa mudança de lente se tornou ameaçadora. Eu, porém, preciso de lateralidade. Quero dialogar com as ciências sociais. Preciso variar meus ângulos de percepção. Não gosto de cabrestos. Patrulhamento e cenho franzido me irritam . Senti na carne a intolerância e como o ódio está atrelado ao conformismo teológico. Preciso me manter aberto à companhia de gente que molda a vida, consciente ou inconsciente, pelos valores do Reino de Deus sem medo de pensar, sonhar, sentir, rir e chorar. Desejo desfrutar (curtir) uma espiritualidade sem a canga pesada do legalismo, sem o hermético fundamentalismo, sem os dogmas estreitos dos saudosistas e sem a estupidez dos que não dialogam sem rotular.
Não, não abandonarei a vocação de pastor. Não negligenciarei a comunidade onde sirvo. Quero apenas experimentar a liberdade prometida nos Evangelhos. Posso ainda não saber para onde vou, mas estou certo dos caminhos por onde não devo seguir.
Não concordo com tudo o que ele diz, mas gostei do texto

